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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Dia dos Professores



Hoje deveria ser um dia de comemoração, mas infelizmente não será. Como de hábito fico com a internet aberta quando estou em casa bisbilhotando nas redes sociais, verificando emails ou lendo alguma coisa que me chame atenção ou que desperte algum interesse.

Dia dos professores, mensagens de felicitações e palavras de incentivos não faltaram e isso é super bacana se tratando do meu trabalho que bem verdade não tem sido fácil, dificuldades é o que não falta nesse ofício.

Pois bem, na verdade o que deveríamos comemorar, ou melhor, o que eu deveria comemorar não será nesse ano. Pela manhã me deparei com uma noticia que me deixou deveras triste.

INCÊNDIO na E.E. Comendador Mario Reys atingiu parte da biblioteca e outras áreas... lamentável“

Essa notícia me veio como uma bomba. Nesse momento me vieram várias lembranças da infância e adolescência. Lá iniciei meus estudos e fui alfabetizado, fiz boa parte dos meus amigos, minhas paqueras infantis, namoros juvenis, brigas com professores, visitas constantes a sala da diretora por conta do meu comportamento amigável com colegas. Lembrei de tudo que passara naquele recinto, formatura do ensino fundamental, médio, enfim, minha vida escolar e essa escola se resumem a uma só. Não tem um sem o outro, minha história sem essa escola não existiria, assim como de muitos dos meus colegas.

A notícia por si só para alguns não seria tão relevante como foi e esta sendo pra mim, não porque eu seja mais interessado ou preocupado com a escola, aliás, quem estudou nela acredito, deva estar com o mesmo sentimento que eu. Tristeza pelo ocorrido.

Tanto eu como minha família tem uma relação com o bairro e a escola. Todos os meus irmãos estudaram no colégio, do mais velho ao mais novo. Tivemos alguns professores em comum, que além de professores, alguns eu tive a honra de me tornar colega de profissão, afinal depois de muito tempo acabei também me tornando um professor. E o melhor da história é que fui dar aula exatamente no lugar de onde havia saído e dado muito trabalho, foi aí que comecei a acreditar na lei:

Aqui se faz aqui se paga.

Tudo que eu aprontara enquanto aluno eu tive o retorno quando fui trabalhar lá, quase desisti do ofício por várias vezes, lembrei de colegas e ex professores dizendo a mim que quase fui o responsável pela desistência da carreira de alguns, paguei meus pecados com a mesma moeda e só agora entendo que juventude e molecada é tudo igual, como aquela música do Belchior, como nossos pais.

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como Os Nossos Pais...

Enfim, nessa escola iniciei tudo que há de melhor em mim, conheci o melhor que podia conhecer, aprendi o melhor que podia aprender, e lembro do melhor do que eu possa lembrar.

Por sorte parece que só queimou parte da biblioteca e nada de mais grave, o importante mesmo é a história que ficou. Essa nem as chamas desse incêndio pode destruir.

Aos meus familiares, amigos e colegas de profissão que fazem parte desse colégio.

Viva o Dia dos Professores.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Resenha crítica da obra “Justa Palavra”, de Marcio Costa. Por Allan Regis 11 de julho de 2014


O escritor Allan Regis teve a generosidade de passar sua impressão acerca de meu livro, confesso que fiquei bastante lisonjeado com suas palavras e observações, o cara à meu ver consegui de fato pegar toda minha essência nessas poucas e mal escritas cronicas.

Muito obrigado meu caro amigo.


Resenha crítica da obra “Justa Palavra”,

Por Allan Regis 11 de julho de 2014

Cabe ao cronista, como poeta do cotidiano, que é de fato, enxergar, sacar e tirar proveito do que se passa ao seu derredor com ele, com amigos oucom os transeuntes que nem sabem que estão sob o olhar apurado dele que não gastará muitas linhas para relatar tais acontecidos que vislumbrou. O seu dia dia não passará sem lhe render algumas linhas. Eventos aparentemente banais se mostrarão dignos de boas risadas e capazes de ensinar algo a ser refletido. Li esta semana “Justa Palavra”, do escritor Marcio Costa, e, devo confessar, que a obra surpreendeu-me. O autor mostrou-se um excelente cronista e fez-me voltar ao gosto que tinha de ler crônicas. Sua antologia envolvente, formada a princípio em seu homônimo blog que administra (justapalavra.blogspot.com.br), consegue marcar o leitor profundamente, o que desafia o lado efêmero do gênero que costuma nascer cedo e morrer mais cedo ainda. Resgatar estilos parecidos com os encontrados em Stanislaw Ponte Preta, Millôr Fernandes e Lourenço Diaféria, trazendo toda a informalidade, humor satírico, dialogando sobre assuntos íntimos quando não corriqueiros, fazendo suas críticas sem deixar de gargalhar bem alto ao desabafar seus anseios e esperanças, é algo que torna a narrativa de Marcio muito bacana. O autor roda conosco por diversos pontos da cidade de São Paulo, muitas vezes parando em lugares emblemáticos da Zona Leste, de Itaquera, ou de bairros vizinhos, em voltas cheias alto astral e criticismo, colocando-nos em suas conversas entre uma cerveja e outra ou em crises conjugais, bem como em suas decepções quando não em suas piadas sarcásticas, não se incomodando em hipótese alguma, pelo contrário. Cercado de acontecimentos, Marcio soube relatá-los para nós, dando seus pitacos cheios de requinte e estados de ânimo bastante elevados. Vamos encontrar em seus textos as incertezas, as transformações do tempo, questionamentos e indecisões quanto ao futuro das coisas e os receios quanto as mudanças daquilo que se considera importante e digno. Em “A Lousa e o Giz” (página 9), por exemplo, a efemeridade das coisas, o descarte daquilo que se é importante, mas que não recebe o valor devido, são pontos fortes que constitui esta crônica. Vamos encontrar recordações de tempos vividos, de emoções difíceis de serem revividas, lembranças de momentos que trazem saudades, como Giulia Gam em “A moça do Compasso” (página 11) que lhe deu a honra da dança sob o olhar ciumento e despeitado de sua namorada, em pleno Teatro Arena. E o que falar dos lamentos do autor e a forçada aceitação dos ciclos de renovação familiar em “A tesoura e o papel” (página 14), em que reflexões sobre o crescimento e mudança de ares dos entes queridos, principalmente os filhos que se criam como pássaros prestes a voar, traz um profundo pesar que faz-nos recair na síndrome do ninho vazio. Ao tratar de assuntos polêmicos ou que trazem um determinado baixo astral, o autor tem consciência que não pode deixar a peteca cair e que rir é o melhor remédio, por isso sacaneia o tempo todo e gargalha quando parece que vai chorar. Em “A vida como ela é” (páginas 16 e 17), com uma roupagem própria, dando seus toques próprios, resgata sutilmente Nelson Rodrigues, trazendo à tona o problema de se ir como piolho pela cabeça dos outros. Querer beber ou fumar achando que isso é capaz de torná-lo escritor, porque outros escritores o fazem, é um motivo para pensar: se eles derem o cu porque são escritores, você dará também para ser?. Também encontramos a avaliação de atitudes e o tentar entender a vida em sociedade ou a mente individual do ser humano, como os preconceitos se constroem e a estética com humor refinado. Marcio nos leva em suas viagens e nos apresenta pessoas bacanas, muitas vezes excêntricas, esquisitas, fantásticas, amigas, cheias de vida e de histórias para contar. Como em “Carioca” (página 24) que descreve o seu encontro inusitado como uma escritora carioca durante uma viagem à Aracaju e como a relação entre os dois se estabeleceu e se esvaiu com a força do tempo que esfriou, o que traz novamente a ideia da efemeridade das relações. Gostei, sobretudo, da contextualização, da intertextualidade bem presente na obra. Gostei do encontro com Clara Charf na crônica “Miss Dayse” (página 31). Marcio torna-se chofer de uma famosa que vem a um evento e nem se dá conta disso. Leva toques e se toca no auge da situação bastante inusitada. Duvido que o leitor deixe de rir de suas trapalhadas em tragicomédias muito bem escritas. Marcio corre de vacas e bois, perde seus óculos, sempre metido em situações constrangedoras, conduzindo gentes cegas, como um caolho – cego de um olho que ele é, e não tem receio e nem vergonha de assumir – que não consegue enxergar em 3D e nem sequer conduzir a si próprio quem dirá os outros. É claro que é tudo uma grande piada, pois ele brinca o tempo todo, e dificulta-nos levá-lo a sério. Dei boas risadas com “CowNae 2014”, “Dia de Domingo”, “Picha o cu”. “Tira a mão de mim”. E em “Quarentona de parar o trânsito” (página 63), uma de suas melhores crônicas, na minha opinião; uma homenagem à história dos automóveis. Puxa! Personificação sarcástica de uma velha “Belina”, e como um carro antigo pode trazer velhas recordações, saudades de bons e velhos tempos e como o hoje não tem mais paciência para isso. Os gostos culinários de Marcio aparecem a todo momento, sua relação com a esposa Andréa é tratada com muita simpatia e alegria. O cronista reconhece percas do passado, sua importância e sua busca em entender o ontem em relação com o hoje. Consegue dar sentido ao que antes para ele não se tinha. Mostra ao leitor que é possível passar uma fase em branco e conseguir preenchê-la anos mais tarde quando se está maduro. Em “Vingança é um café que se serve frio” (página 83), achei muito divertida a relação entre ele e sua irmã, as traquinagens, como um aprontava com o outro e ao mesmo tempo fui pensando em como também sinto falta das diversões entre irmãos dentro do lar. A reflexão sobre o tempo e quanto se ganha e se perde enquanto ele passa está presente nas crônicas: “Três minutos” (página 78) e “Trocando em Miúdos” (página 80). Suas lembranças engraçadas dos colegas, de alunos - Marcio é professor também! -, os seus reencontros no facebook, batendo papos sobre os velhos tempos e situações vividas em épocas de colégio ou faculdade, defeitos, apelidos, cambalachos, bullyings invevitáveis, peripécias e toda a sorte de vivências das mais estranhas às mais divertidas, Marcio descreve em sua obra e compartilha conosco, leitores que precisamos tanto disso por estarmos sedentos de uma boa conversa num botequim, bebendo e comendo um tira gosto, observando a vida passar e, de quando em quando, resgatando ou ressuscitando defuntos que já não lembrávamos mais que estavam mortos. Vivendo “Sabores e Dissabores” (página 66), refletindo sobre a situação dos jegues no nordeste enquanto almoça com amigos numa casa do norte, ou quando não nos faz lembrar filmes bacanas que podemos tirar alguma moral para tentar considerar melhor as situações da vida. Apresentando fãs enlouquecidas, esquisitas e decepcionadas com seus ídolos, reagindo de forma radical ou rejeitando de forma estranha quem não lhe dá valor de verdade em “Toca Raul” (página 76). Reconhecendo os sentimentos de inveja difíceis de se desvencilhar, em “Síndrome de Ernest Hemingway” (página 71), quando se depara com o texto de um outro ou de uma outra e precisa reconhecer que ele está bom – a autocrítica aparece em Justa Palavra recorrentemente. Vivendo uma epopeia aqui outra ali, carregando uma caixa de isopor de pescados e dez quilos de frango picado, junto com um amigo, pela 25 de março, resolvendo comprar um guarda chuva na Galeria Pajé, tirando sarro e sabendo tirar proveito de tudo, vive e convive Marcio, fazendo menção de ruas dos bairros de Itaquera e seus entornos, de bairros vizinhos e de lugares familiares para quem anda ou mora na zona leste de São Paulo. Ele revela seus tempos estudantis, sua vida familiar, apresenta-nos seus amigos e todo o seu ponto de vista e sua alma nas mais adversas lembranças. Depois de se ver envolvido pela narrativa de do autor, nos tornamos fãs curiosos e ansiosos pelas próximas ironias do cotidiano divulgadas em seu periódico online. A “Voluntariedade: positiva ou negativa”, são trapalhadas, são o cômico de Marcio, que, sempre bem humorado, traz morais de histórias e remete-nos a pensar sobre como a vida pode render uma boa risada no final das contas

domingo, 20 de julho de 2014

Dia do Amigo.



Parece-me que hoje é dia do amigo, dia, aliás, bacana de se comemorar ou comentar, pois em se tratando deste assunto nunca faltarão lembranças a serem contadas. Sempre tem um episódio ou outro a ser relembrado.

E como amizade não é uma coisa que acontece do dia para a noite ao longo dessa trajetória vão acontecendo varias histórias, algumas trágicas, outras alegres, outras engraçadas e outras simplesmente sinceras e honestas. Essas sim se carregam ao longo da vida.

E é disso que vou falar. Ao longo dos meus quase quarenta anos fui construindo minha história de amizades com algumas figuras. A figura em questão já é meu amigo desde a escola primária, como se chamava naquela época, e isso só faz trinta e dois anos. Pouco né? Pois bem, trinta e dois anos de amizade e histórias a serem contadas, inúmeras engraçadas, outras nem tanto, mas uma coisa é certa: sempre com carinho e respeito de ambas as partes, independentemente das opiniões, essas sempre foram respeitadas. Sempre! Como é dia de celebrar essa data vou homenageá-lo contando uma de nossas histórias.

Numa véspera de ano novo, eu e o amigo resolvemos buscar no serviço aquela que seria sua futura esposa. No caminho, como ainda era cedo, resolvemos passar no Mercado Municipal de São Paulo para fazermos uma comprinha. Na verdade, eu queria fazer uma compra. Tinha em mente comprar alguns pescados para assar, portanto comprei lá os produtos que acredito serem de procedência.

O sujeito, como não tinha nada em mente para comprar, resolveu de última hora fazer um agrado para a família e comprou dez quilos de frango picado no Mercado Municipal. Imagina a fortuna que o cara pagara por esse frango picado! Uma fortuna! Enfim, fizemos a nossa compra, comemos os lanches tradicionais do mercadão, o de mortadela e o pastel de bacalhau, cada um com suas respectivas compras. Eu com um isopor na cabeça para conservar o frescor dos peixes e ele com duas sacolas de frango na tumultuada, barulhenta e ensolarada 25 de Março.

O cara reclamava pra caramba, pois havíamos deixado o carro na Florêncio de Abreu, portanto só a “algumas quadras” dali. No caminho, de quebra ainda passamos pela galeria Pagé para eu comprar um guarda-chuva.

Que programa não? Somente amigos verdadeiros sobrevivem a essa provação. 25 de Março, isopor na cabeça, dez quilos de franco picado em pleno dia 31 de dezembro. Não é para qualquer um.

Só os fortes e os amigos sobrevivem.


Isso sim que é amizade...

domingo, 29 de junho de 2014

O que eu não quero pra mim eu não faço para os outros



Juro que não queria entrar no assunto, afinal assistir aos jogos da copa pra mim deveria ser somente diversão, entretenimento, respeito e tolerância, assim penso ser o esporte, ser competitivo sim, mas não desleal.

Dentre esses jogos já assistidos por mim e milhares de outras pessoas, testemunhamos jogadas extraordinárias, gestos bonitos de jogadores atendendo seus fãs, narrações de locutores envolventes. Torcedores alucinados vindos de todos os cantos do mundo, enfim, uma linda festa que sempre tem um espirito de porco.

Infelizmente em toda festa tem aquele inconveniente metido a engraçado, sempre com as mesmas piadas sem graça e intervenções desnecessárias, que só agradam ao piadista ou no máximo a aquele que o acompanha.

Sabe aquele sujeito que sempre acha que tem razão, só os seus são inteligentes ou educados, acham que podem falar o que pensam só porque estão numa determinada situação? Pois bem, pra mim esses caras não querem dizer absolutamente nada, a não ser que estão muitíssimos equivocados. Ter grana, estudar numa determinada escola ou fazer certas faculdades só isso não é sinônimo de elegância ou educação. Vide o que tem acontecido nos estádios.

Eu mesmo já escrevi sobre certos comportamentos quando estou no estádio e que até acho engraçado, mas, nem por isso devemos exagerar no andar da carruagem.

Calma lá, tudo tem limite.

Esse negócio de desrespeitar uma autoridade com xingamentos de baixo calão, falando palavrões não se justifica. Se temos opiniões divergentes ou qualquer coisa que o valha que se vá para o embate politico e não a falta de respeito, isso sim é intolerável, mas tudo bem, vire-se a pagina, já foi superado.

Supera-se um deslize e acontece outro, no outro caso pra mim também intolerável foi à vaia ao Hino Chileno. Que coisa chata e mal educada, sem motivo de ser e deveras deselegante. Qual a razão para ter tal comportamento? Não se sabe.

Enfim, a Copa das Copas que até agora tem dado certo pra mim só tem pecado num aspecto:

Esse comportamento estranho por parte de alguns que se acham melhores que os outros, e que estão acima do bem e do mal. Que bem é esse que vocês estão pregando?

De verdade não sei, só sei que:

O que eu não quero pra mim eu não faço para os outros.


Fica a dica.

Atualizando o Blog




sábado, 21 de junho de 2014

Fufu





Esses jogos da copa estão me deixando cheio de ideias e lembranças, não sei se por conta de eu não ter nada para fazer ou porque sou muito a toa mesmo.

Times de todas as nacionalidades, culturas e costumes diversos compartilhados, enfim, tudo para inspirar uma mente como a minha.

Meses antes de acontecer a Copa, num desses feriados aqui em São Paulo, eu e a família resolvemos almoçar fora. Queríamos algo diferente e, por isso pesquisei na internet um restaurante Africano que fica no centro da cidade, liguei e falei com um atendente chamado Victor, feito isso partimos ao restaurante que fica exatamente na Rua Barão de Limeira, lugar bacana, acima de qualquer suspeita e o melhor de tudo é o saudosismo que trás a mim e minha esposa, nos conhecemos nessa rua.

Feita a pesquisa fomos conhecer e matar a fome que já nos assombrava, devido a hora e famintos, pois havia passado bastante tempo do horário que estamos acostumados almoçar.

Chegamos ao local desejado, avaliamos se entraríamos ou não no local, enquanto decidíamos  fomos surpreendidos pelo simpático garçom, perguntei a ele se era o Victor e respondeu que sim, logo ele nos acomodou, eu, esposa e filho numa mesa colada ao balcão, pedimos umas bebidas e em seguida trouxe o cardápio.

Como gosto de valorizar a conversa, pedi ao garçom que me indicasse o prato mais regional que tivesse no restaurante, ele não diferente de mim também valoriza um assunto, respondendo:

- Tudo aqui é bom, tudo regional.

Voz bonita do sujeito, um sotaque francês, provavelmente por conta da ocupação  francesa pós primeira guerra em Camarões, sua Terra mãe.

Continuamos a ver o cardápio enquanto Victor atendia outras mesas, vários pratos, muita banana da Terra, mandioca, milho, boldo, esse último achamos estranho, aqui nosso costume com essa folha é usar para fins medicinais e não como alimento, enfim, curioso.

Chamamos novamente o garçom ainda com dúvidas sobre o que comeríamos, insisti que ele me indicasse o que achava de melhor, o cara já meio sem jeito ou de saco cheio comigo respondeu:

- Você não quer experimentar o meu Fufu, é muito gostoso.

Fiquei sem graça com a indicação do Victor, não tinha visto esse prato no cardápio, e como tinha de responder algo para ele dei de pronto:

- Você não acha que ainda é cedo? Acabamos de nos conhecer!

Minha esposa me olhou firmemente me condenando e fazendo imediatamente a pergunta ao Victor.

- Como é esse prato Victor? Me explica aí vai.

Victor sem entender nada explicou calmamente do que se tratava o Fufu, na ocasião tinha Fufu de mandioca, milho e arroz, decidimos então pelo de arroz, parecia algo mais familiar para encarar.

Dada a apresentação do prato justifiquei para a minha esposa a resposta que dei ao Victor.

- Andréiha, você não lembra quando ainda estava grávida um convite que recebemos para entrar numa casa de espetáculos aqui na Rua Aurora?

Esse convite se dera quando passávamos na frente de um inferninho.

- Vai saber, não conheço a cultura desses caras, vai que era uma proposta daquelas!

Ela respondeu:

- Deixa de bobagem, você sempre com essas coisas sem graça, que absurdo.

Demos risadas, lembramos episódios engraçados que passamos na região, encontramos antigos amigos e almoçamos o excêntrico prato de Gana, o polêmico e saboroso Fufu.

E não é que o Fufu é bom...


Observação:

No restaurante trabalham pessoas de quatro nacionalidades diferentes da África.

Camarões.
Senegal.
Gana.
Nigéria.


               Eis o Victor

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Bola fora.


Prudência, responsabilidade e bom senso nunca é demais.

Vira e mexe me deparo com essas situações e longe de mim querer questionar ou corrigir certos comportamentos, eu mesmo sou inoportuno por demais, amigos e familiares que o diga.

Na falta do que fazer por conta da minha enfermidade “Pé quebrado” comecei a lembrar de episódios que eu passara ou testemunhara. Bola fora todos nós cometemos, e eu pra variar tenho sempre alguma no repertório.

A bola fora em questão aqui não é minha nem tão pouco de algum conhecido próximo, e sim de um grande compositor, escritor, dramaturgo e aniversariante de hoje o Chico Buarque que esta completando 70 anos.

Juntando essa grande data ao fato do Chile ter eliminado a última campeã da Copa me ocorreu uma lembrança acerca de um texto que eu lera há alguns anos.

O texto em questão é:

“O encontro esperado com Chico Buarque.”

Quando li o texto pela primeira vez achei espetacular, adoro coisa errada, bola fora e comentários inoportunos, e o mais legal é que personalidades também cometem esses deslizes.

E qual foi o deslize?:

Chico numa ocasião recebeu o grande escritor Chileno Antonio Skármeta autor da obra “O Carteiro e o Poeta”, encontro desejado por ambos e intermediado por um amigo em comum.

Lembro me que a conversa se dera num restaurante em Ipanema, no Jantar estavam Chico, Skármeta e sua esposa, como não se conheciam pessoalmente fizeram as devidas apresentações e confidenciaram o interesse um no outro.

Skármeta confidenciara como surgiu seu interesse na esposa e que, além disso, a bela loira tinha a coleção completa dos discos do Chico. Acho que era mais ou menos isso.

Enfim, conversaram sobre música, caipirinha e futebol, esse último, aliás, de muito interesse por parte do Chico, afinal é um torcedor fanático do esporte, tem um time chamado Politheama e também torce pelo tricolor carioca Fluminense.

Dado ao ritmo da conversa como não poderia deixar de ser começaram a falar sobre posicionamento de futebol e Skármeta arriscou:

“— Eu sei, Chico, que você gosta de futebol. E qual o time do qual você mais gosta?

A resposta veio envolta num sorriso de indisfarçável orgulho:

— Eu tenho um time de futebol, o Politheama. Mas também torço pelo Fluminense.

A curiosidade do chileno concentrou-se em alguns aspectos da relação entre escritores e futebol. Por que será que ao contrário do que ocorre entre os músicos há tão poucos escritores que jogam futebol? O primeiro exemplo saltou em uníssono: Albert Camus. Chico vetou, enfático:

— Ele não era jogador de futebol: era goleiro. E goleiro não é jogador de futebol. Aqui no Brasil, quando a garotada joga, sobra para o gol quem é perna-de-pau. Aliás, até as meninas jogam no gol.

— Chico, você joga em que posição?

— Todas. Menos a de goleiro.

Skármeta bem que tentou defender os goleiros. Foi fulminado por uma pergunta marota:

— E você, joga em que posição?

A resposta veio cabisbaixa:

— Goleiro.”

Ficaram todos em silêncio e esqueceram o assunto por hora, afinal o mal estar e a bola fora foram arremessados como um lateral mal cobrado, que reversão, continuaram a jantar e falaram sobre outros assuntos.

Pois bem, falta do que fazer, jogos, e ser inoportuno da nisso, lembranças e homenagens a essas grandes figuras.

Parabéns Chico pelos seus 70 anos.

Parabéns Skármeta pela diplomacia conduzida na conversa.

E por fim Parabéns ao Chile pelo belo início de copa eliminando a atual campeã.

Chi Chi Chi Lê Lê Lê.

Viva Chile!









Estado de São Paulo - 1997 Eric Nepomuceno.

sábado, 24 de maio de 2014

Um estranho no ninho



Era pra ser diferente, mas infelizmente não foi. Depois de quase 104 anos de espera finalmente foi inaugurado o tão esperado estádio do Corinthians, muita badalação, alegria e emoção para um bando de loucos aficionados, bonito de se ver.

Muita expectativa.

Programado o passeio me organizei para não chegar atrasado, tínhamos combinado de nos encontrar às 14h numa estação de trem próximo de casa, eu com filho mais os irmãos corintianos. Não fui o primeiro a chegar, minha irmã e madrinha já havia chegado e estava na plataforma do trem, eu e a cria fomos os segundo a chegar e meu irmão mais másculo o terceiro.

Pronto time quase completo, só faltava agora o mais velho que portava os ingressos, dada a hora e passados uns 20 minutos do horário combinado resolvi ligar para saber do paradeiro dele com sua cria, o cara ainda se encontrava em casa. Fiquei puto da vida com pontualidade do irmão, compartilhei com os outros e ficamos a falar mal  dele enquanto o aguardava.

Passado mais alguns minutos o cara me liga dizendo que estava um baita de um trânsito e que iria a pé para o estádio, e que partíssemos para a estação e que encontrássemos a caçula mais o cunhado, foi o que fizemos. Partimos para a festa.

Chegando a estação do estádio começamos a ouvir a empolgação da torcida, trem e metrô descarregando centenas de torcedores eufóricos, gritavam, chamavam palavras de ordem, alguns chorosos, enfim, uma histeria coletiva.

Encontramos a caçula e o cunhado doente preocupado com a demora do portador dos ingressos, preocupação esta não só pelo atraso e sim com medo de perder o tão esperado jogo, o sujeito já não dormia a duas noites tamanha  ansiedade pelo jogo.

A caçula chegou até  cogitar o esquecimento dos ingressos. Imagina a pilha que a galera se encontrava.

Esperamos por mais uns minutos e finalmente chega o cara, que felicidade, não por ter visto o mais velho, mas sim por estarmos garantidos na festa. Feita a distribuição das entradas seguimos rumo à nova casa dos fanáticos.

Percorremos aqueles poucos metros que separava a estação de metrô até o estádio e no caminho eu só a observar a felicidade desse povo. Pareciam crianças ao abrir um embrulho de brinquedo tamanho à excitação dos caras.

Ouvia-se.

-Caralho, chegou à hora.

-Vai Curintia.

-Timão eooooo, timão eooo

Emoção não faltava aos alucinados, muito bom compartilhar desse momento com a galera, mesmo sendo de time adversário curti o momento, afinal sei bem o que é ter casa própria e ver alguém que se gosta adquirir uma é tão bom como se fosse nossa.

Chegamos à entrada do estádio, separamo-nos e fomos cada um ao seu respectivo assento, eu o irmão mais velho com as respectivas crias, os demais irmãos e cunhado para outro portão.

Assistimos ao jogo. Eu quietinho no meu canto, só apreciando a torcida, filho e sobrinho entrando no espírito do jogo começando até a ensaiar alguns xingamentos bem timidamente, achei aquilo o maior barato, os moleques com os seus 9 anos ensaiando seus primeiros gritos e fanatismo pelo futebol, isso com certeza valeu muito mais que aqueles passos mal dados que os jogadores deram durante o jogo. Muito bom esse momento.

Dentre esses xingamentos que os moleques aprenderam o mais engraçado era no tiro de meta do goleiro adversário.

Na hora da cobrança o estádio todo começava.

-ôooooooooooooooooooooooooooooooo.......

No chute do goleiro vinha o xingamento.

E todo mundo gritava.

-Bichaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.......

Cada tiro de meta cobrado os moleques xingavam e rachavam o bico.

O time anfitrião tomou um gol e o placar se encerra com a primeira derrota em casa. Triste isso, mas a alegria com a nova casa era tanta que passou despercebido tal acontecimento.

Final de jogo, cada um pega seu rumo pra casa e leva consigo não a derrota e sim a conquista pela bela e tão esperada casa.

Parabéns ao time pela bela conquista.


E viva a esportividade.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Quem tem amigo não morre pagão



Hoje é meu aniversário e sinto-me especialmente feliz, depois de anos comemorando do mesmo jeito, com o meu tradicional strogonoff ou festinhas em casa com amigos e familiares nesse meu dia resolvi virar a página. Afinal, dizem que aos 40 anos é que se começa a viver, e se isso for verdade penso que será muito bom.

Minha comemoração foi bastante modesta se comparado aos anos anteriores, modesta porém, feliz como há tempos não ficava, acordei como sempre bem cedo para ir ao trabalho, fiz meu café como de costume e fiquei só na cozinha pensando como poderia tocar a vida de agora em diante.

Fiz meu desjejum, acordei minha amada e querida esposa dei um beijo de bom dia e até logo e fui para o trabalho, nada que não faria num dia qualquer. Tudo normal, a não ser pelo fato de estar ficando mais velho, mas isso é um mero detalhe.

Trabalhei, recebi algumas mensagens de felicitações e fui tocando o dia, almocei com a minha linda e voltei ao trabalho, tudo como manda o figurino, dia feliz e produtivo.

No final do dia como todas as segundas e terças feiras busco minha cria na escola e aí começa a virada de página, meu garoto ao entrar no carro fala do seu dia na escola e me dá um abraço e um beijo de presente, e que presente.

Vamos para a casa e vêm às outras surpresas, mensagens de felicitações e telefonemas dos amigos, amigas, familiares, todas e todos muito generosos e simpáticos, pessoas que há tempos não via, mas, me felicitaram, muito boa a sensação. Carinho, respeito e amizade não tem o que pague.

Enfim, hora de tocar a vida e de me tocarem também, borá lá marcar meu proctologista e antecipar meu sofrimento. Espero não gostar.

Chegada a hora, 40 anos, nova vida e com os velhos amigos.

A todos que lembraram da minha data meus sinceros agradecimentos, e como dito no começo;

“Quem tem amigos não morre pagão”, ou melhor, Quem tem amigos não é esquecido.

Obrigado a todos pela lembrança.

Que venham mais 40 anos.


Viva a amizade. 

domingo, 13 de abril de 2014

Santa ignorância



Já virou lugar comum falar desse assunto, tudo que é página de jornal, noticiários de TV, ou até mesmo nas redes sociais critica-se o modo que a internet vem sendo utilizada, eu mesmo já me peguei fazendo tal comentário.

Confesso ser um usuário incontrolável, perco muito tempo vendo e compartilhando certas postagens, coisas sem propósitos, às vezes ofensivas, sem fundamentos ou veracidades das informações, atribui-se comentários e frases a autores que sequer pensaram ou disseram.

Tudo isso e mais um pouco se tornou comum nas redes sociais, estamos banalizando a utilização desse recurso, vulgarizando nossas relações e preocupados mais com a vida alheia do que a nossa. É um festival de exibicionismo, intolerância, e ostentação. Pra que tudo isso?

Pra nada!   

E por falar em intolerância parece-me que estou fazendo o mesmo, afinal estou criticando o modo de como estão, ou estamos utilizando a rede.

Pensando nisso e ainda bisbilhotando na internet vi o quanto somos ou sou ignorante, generalizar, criticar, questionar é um mal que precisamos ter cautela, depois de dito certas coisas não adianta voltar atrás.

E porque isso?

Vivo falando do comportamento alheio, vejo algumas postagens e não gosto da maioria delas, mas limito-me a só pensar, mesmo não concordando.

As vezes o silêncio e à ignorância é a melhor resposta a ser dada.  

Mas nem tudo está perdido. Nessa mesma rede social que vivo falando mal e que também não me desconecto, vira e mexe aparece algumas postagens que fico impressionado, figuras, quadros, livros, músicas, enfim, coisas que realmente nos agrega algum valor cultural, mesmo não conhecendo a maior parte dessas ilustrações compartilhadas me sinto menos ignorante e percebo que nem tudo esta perdido.

Que banalizemos menos esses recursos tecnológicos e aproveitemos mais o que a arte tem a nos oferecer.

Livros

Pinturas

Músicas

Esculturas

Museus

Tudo isso encontramos na internet, só não sabemos como, onde e a maneira certa de usar.

Santa ignorância essa a nossa!


sábado, 8 de fevereiro de 2014

CHAMAMENTO AOS LEITORES DO BLOG


Caros e Caras bom dia,

Estou pretendendo fazer uma coletânea dos meus textos, para isso gostaria da colaboração de cada um de vocês indicando aqueles que mais gostaram, indique ao menos dez textos, e em breve aparecerei com novidades.



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Marcio Costa.